Resenha Critica do livro "Alguma Poesia"

Por Giulia Alves

Alguma Poesia" é a primeira obra do autor Carlos Drummond de Andrade. O livro foi publicado em 1930 e fez parte da primeira e segunda fases do modernismo brasileiro. Por meio de seus poemas-piada, Drummond aliviou o fardo de sentimentos dolorosos e de quando ele se dedicava à vida diária, transcendendo o tempo e o espaço, procurando algo mais duradouro, capturando assim as emoções sobre as quais fala em si mesmo e em seus arredores.
Certamente, ouso dizer que a minha leitura com o livro foi a melhor possível de se imaginar. Esse pequeno livro, de apenas 49 poemas e micro-poemas me prendeu à leitura de uma forma inexplicável. Sempre tive problemas com interpretação e devido a Carlos Drummond ter escrito de forma tão coloquial, acabou me fazendo estabelecer certa conexão com o meu cotidiano.
O livro abriu um leque de experiências novas em minha vida, despertou a artista que nunca havia acordado dentro de mim, me deu forças para ver que até mesmo uma pedra que se encontra em meu caminho, pode virar poesia e isso em minha opinião, é o mais lindo.
O livro foi marcado como a inauguração da nova fase do modernismo, a segunda. Nesta fase, prevalece o amadurecimento formal e estilístico e também o predomínio do projeto ideológico sobre projetos estéticos, porém ao lermos as poesias, não nos deparamos com isso e sim com uma certa liberdade de criação, expressão, humor, deboche e irreverência, características da primeira fase dessa escola literária, causando certo estranhamento, que com uma bela conversa com alguém que também apresentou interesse no livro, é possível um desencarceramento para um entendimento ainda maior.
O objetivo desse período foi baseado na ruptura com padrões e inovação, ou seja, os autores desse período queriam o tradicional bem longe desse movimento e assim foi, marcado pela espontaneidade, cotidiano, críticas ao parnasianismo, exaltação das vanguardas artísticas e a nossa pátria (principais características da geração de 22 e do modernismo).
Diante de tudo já dito, escolhi alguns dos poemas que mais me marcaram e irei abordar sobre eles de forma superficial devido a grandiosidade de cada um:
O primeiro sem dúvidas é o que realiza a abertura do livro, pois nesse poema é abordado sete faces diferentes em cada estrofe, exemplificando o fato do eu-lírico ser um “gauche” na vida, ou seja, uma pessoa perdida. É nítido o tom pessimista de Drummond, abordando transições das faces com ricos valores metafóricos, tendo a presença do cenário urbano, a mescla social e as transformações nas camadas economicamente desfavorecidas.
O segundo escolhido é o qual apresenta título de: “Infância”; esse poema me marcou devido a sua simplicidade ser similar à prosa, por conter até mesmo uma certa narração sobre a vida do eu-lírico, isso me fez enxergar a poesia de uma forma abrangente. Além disso, percebi que ao decorrer das estrofes, era presente a figura do “gauche “ já citada no primeiro poema, pois novamente o eu-lírico se encontrava indeciso, sem saber se “a maré estava levando ele” ou se ele lutava pela vida; mas ao final da estrofe ele apresenta certa confirmação de seus sentimentos, afirmando que a história dele é entusiasmada e até mais bonita que a de um jovem marinheiro inglês.
Mais uma parte marcante foi a intitulada “Casamento do céu e do inferno” pois essa poesia faz apologia a vanguarda artística do cubismo, apresentando certa ausência de informações e também uma tímida metáfora na primeira estrofe. O que mais me chama atenção é a presença de intertextualidade, já no título, trazendo a imagem de William Blake na cabeça e na terceira estrofe quando cita as virgens tresmalhadas e a incorporação à via láctea , ocasionando certo deboche ao poeta parnasiano: Olavo Bilac.
Outro que me chama atenção por novamente fazer uma conexão com o “gauche” é o poema “Também já fui brasileiro” pois ao decorrer de seus versos, ele cita que era dessa nacionalidade, havia os mesmos costumes e hoje ele não é mais, ora, então o 'que ele é? A resposta que encontrei para minha pergunta foi: “um gauche na vida”. Além disso, o poema apresenta uma certa ironia e um vazio sobre a rotina.
O que eu não poderia deixar de citar é o "Europa, França e Bahia”. Esse me despertou certo orgulho pela valorização de nossa pátria, acredito que ele possa ter sido inspirado no livro de Mário de Andrade, chamado "Macunaíma''. Falando brevemente sobre os elementos que mais me chamaram atenção, foi a crítica ao econômico, político e a Europa, trazendo assim um emblema europeu. Também pelo fato de ser um poema cosmopolítico e primitivo, trazendo um enorme apego ao Brasil.
Em síntese, essa foi minha experiência com esse livro maravilhoso que é um companheiro para a compreensão do modernismo. Acredito que ao final dele, é iniciado um encaminhamento ao maduro, quando ele começa a citar os problemas sofridos no lugar, trazendo uma denúncia social sobre a era Vargas no poema “Outubro de 1930”
Recomendo a leitura do mesmo para todos os leitores do nosso querido blog. Esse livro irá ocasionar diversas experiências diferentes em cada um e sem dúvidas irá valer a pena. 
Por isso, já recomendo a compra pelo site: https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13486Desfrutem dessa maravilhosa leitura!

Você faz parte da nossa comunidade e quer ver o seu texto publicado aqui? Envie-o para exatamenteoblog@gmail.com. Veja mais informações na seção "Sobre o blog".

Comentários

Postagens mais visitadas