Para e pensa!
Para e pensa!
Pra começar a agitar este blog, ainda na grande expectativa de receber os textos de vocês para publicação, trazemos um apanhado de notícias, não necessariamente as últimas, mas todas de grande importância, suscitando temas para reflexão.
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Roman Kraft / unsplash.com |
: A primeira diz respeito à Organização Mundial do Comércio, órgão internacional de promoção do livre comércio e resolução de disputas entre países.
O que acontece é que, pela primeira vez na história, uma mulher, e uma africana, passa a liderar a organização. A OMC foi criada a partir do GATT (Acordo geral sobre comércio e tarifas, em tradução rápida), que serviria para consolidar a ideia de livre comércio após a Segunda Guerra, mas na prática foi um eficiente mecanismo de manutenção de relações desiguais entre países pobres e ricos. Nesse quadro, embora a diretora-geral não seja mais que a chefe da burocracia da instituição, há uma simbologia forte em ter alguém do lado de baixo do planeta, mulher e negra, nesse comando.
"Nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala é eleita diretora-geral da OMC" (DW, 15/02/2021)
Da Nigéria, outros clamores: há pouco mais de uma semana, quase 300 meninas haviam sido sequestradas no noroeste do país. Quase 300 meninas haviam sido sequestradas. Quase 300 meninas. (Estou imitando Ferreira Gullar.) Quem soube, quem se afligiu? Foram liberadas, muito felizmente, não se sabe bem ainda por quê, mas o fato é que esse tipo de acontecimento é recorrente por lá, onde, além de oportunistas querendo resgate, grassa também o grupo extremista Boko Haram, que muitas vezes pretende escravizar os capturados. Penso com meus botões (de teclado): se houvesse um sequestro em massa de jovens em Berlim, em Roma, em São Francisco? Imagino campanhas internacionais de apelo, pessoas de fé promovendo vigílias, governantes falando bonito. Lembro das ondas de legítimo protesto nos EUA, e diria: black lives matter, for sure, but all over the world.
"Quase 300 meninas são liberadas na Nigéria depois de 4 dias de sequestro" (CNN, 02/03/2021)
"O papa é pop", já sabemos, mas Francisco parece ir além. Em um gesto de significado profundo, encontrou-se na última semana, em sua visita ao Iraque, com o aiatolá Ali al-Sistani, principal líder religioso para os muçulmanos de vertente xiita. Al-Sistani, que sabe o que é a intolerância e a perseguição a um povo - o Iraque de Saddam Hussein não era o melhor lugar para xiitas -, acolheu os apelos do pontífice por uma promoção do respeito às minorias cristãs no país. Independentemente de credo, o encontro e as palavras dos sacerdotes são um aceno às ideias de união, de respeito e de convívio.
"O encontro histórico entre o papa Francisco e o líder xiita no Iraque" (BBC, 06/03/2021)
(https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56309301)
Parece de pouca importância, mas tem muito significado. A família Rockefeller, uma das mais poderosas dos EUA e símbolo do industrialismo norte-americano do século XIX, pediu de volta à ONU uma enorme tapeçaria reproduzindo o quadro "Guernica", de Pablo Picasso, que havia sido emprestada à organização em 1984. O quadro de Picasso, para os que não o conhecem, representa as atrocidades da guerra (no contexto de produção, 1937, especificamente os bombardeios promovidos por Hitler a mando do ditador espanhol Franco). Fixada a tapeçaria na entrada do Conselho de Segurança da ONU, simbolizava a consciência de que as bombas são sempre a pior solução. Agora, os donos tomaram a peça de volta e, imagina-se, vai constar em algum lugar na Fundação Rockefeller. A pensar: os interesses individuais e coletivos, a força da propriedade, o declínio das relações internacionais (?).
"Retirada de 'Guernica' pela família Rockefeller causa surpresa e comoção na ONU" (Exame/AFP, 01/03/2021)
"Lindo e triste Brasil", dizia certa canção, que insiste em não envelhecer. Em um levantamento com dados bastante objetivos, identificando danos, agentes e órgãos públicos, mostra-se o estado preocupante de vulnerabilidade das reservas brasileiras. Reservas naturais, onde se guarda, talvez, a possibilidade de futuro do planeta; e humanas, áreas de habitação de povos ancestrais, cada vez mais vulneráveis. E, antes que se acuse de modo redutor o Brasil como responsável pelas ofensivas, repare-se, no texto, que a maior empresa avançando na região é uma gigante inglesa. Mais que um agente particular, é uma lógica, uma mentalidade que produz o estrago.
"Levantamento mostra avanço da mineração em terras indígenas" (DW, 26/11/2020)
Em meio a tanta dificuldade, a esperança de respirar já é um respiro. O governo israelense, na liderança mundial do processo de vacinação contra o novo coronavírus, aponta para a possibilidade de retomada de atividades sociais e esportivas. Um pouco atrás, o Reino Unido também começa a ver a luz ao fim do túnel. A expectativa é que a vacinação progressiva e o desenvolvimento da tecnologia de imunização possam nos conduzir a cidades novamente habitáveis.
"Países celebram os efeitos da vacinação contra o novo coronavírus" (Correio Braziliense, 08/03/2021)
Para bem e para mal, gostamos de futebol. Como povo, ao menos. E, se um resultado específico não mereceria figurar entre uma pequena coletânea de fatos relevantes, o anúncio do campeão brasileiro sim. Mas o que mais importa não é o fato, que todos já sabem, e sim as circunstâncias. O "Brasileirão pandêmico", no dizer de Diogo Magri, foi "único", e isso não quer dizer bom. O texto lembra as irregularidades do campeonato, os altos e baixos, a falta de destaque (um campeonato sem craque!), a falta de torcida. Enfim, o Flamengo campeão. E, antes que me critiquem, não trouxe aqui a temporada gloriosa do Palmeiras, pois achei que mereceria um texto opinativo, que deixo ao encargo de vocês.
"Flamengo perde, mas toma de Inter a taça do Brasileirão pandêmico, congestionado e único" (El País, 25/02/2021)
E aí, foi cutucado pelos fatos? Ficou com a pulga atrás da orelha? Bora escrever, bora publicar!
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirOlá, professor, ótimo momento para nos atualizarmos!
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