A nova virtualidade

Não consigo.

Por Lilo Von Schweetz


Hoje chorei na aula.

Mas não qualquer uma,

minha favorita.

Não consegui aguentar.


Minha matéria preferida

um professor excelente

e mesmo assim chorei.

Não consegui olhar.


Falava do romantismo

apenas um narrador

faltaram voluntários.

Não consegui falar.


Não pareceu triste

nenhuma câmera ou microfone

sem cobrança, segue o monólogo.

Não consegui aparecer.


Larguei o computador 

me tranquei no banheiro

molhei o rosto sem ligar a torneira.

Não consegui parar.


Limpei a cara e saí

ele seguia falando

o mesmo tom automático.

Não consegui ouvir.


No diário, as faltas

foco estava indisposto,

prazer não respondeu.

Não consegui encontrar.


No diário, as presenças

solidão e desânimo na tela

dor nas profundezas do olhar.

Não consegui não compartilhar.


Presentes paixão e empatia

nunca ausentes

mesmo assim, não as vi.

Não consegui alcançar.


Quis voltar ao banheiro

onde espelhos me abraçam

não perguntam, eles já sabem.

Não consegui evitar.


Meses que não faço nada

Semanas desde que o prazer

enfim fraquejara.

Não consegui impedir.


Cansada, sozinha

sem notas ou anseios

alegria rara e escassa.

Não consigo.



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