O que os está levando a nos julgar?

MANIFESTO CONTRA A AVERSÃO DAS PESSOAS A PADRÕES QUEBRADOS

por Emilly Anne Schnoeller

O conflito humano pode resultar em crime, guerra e assassinato em massa, como genocídio. Preconceito e discriminação geralmente são as raízes dos conflitos humanos, o que explica como estranhos chegam a odiar uns aos outros ao extremo de causar mal a outras pessoas.

Preconceito e discriminação afetam a todos.

Os humanos são muito diversos e, embora compartilhemos muitas semelhanças, também temos muitas diferenças. Os grupos sociais aos quais pertencemos ajudam a formar nossas identidades. Para algumas pessoas, essas diferenças podem ser difíceis de conciliar, o que pode levar ao preconceito em relação a pessoas diferentes. O preconceito é uma atitude e um sentimento negativos em relação a um indivíduo com base apenas na sua pertença a um determinado grupo social e é comum contra pessoas que são membros de um grupo cultural “desconhecido”.

Os grupos sociais podem incluir gênero, raça, etnia, nacionalidade, classe social, religião, orientação sexual, profissão e muito mais. E, como acontece com os papéis sociais, você pode ser membro simultaneamente de mais de um grupo social.

Um exemplo de preconceito é ter uma atitude negativa em relação a pessoas que não nasceram no Brasil. Embora as pessoas com essa atitude preconceituosa não conheçam todas as pessoas que não nasceram no Brasil, elas não gostam delas devido ao seu status de estrangeiras.

O preconceito geralmente começa na forma de um estereótipo, ou seja, uma crença negativa sobre os indivíduos com base apenas em sua participação em um grupo, independentemente de suas características individuais, assim os estereótipos se tornam generalizados e aplicados a todos os membros de um grupo.

Às vezes, as pessoas agem de acordo com suas atitudes preconceituosas em relação a um grupo de pessoas, e esse comportamento é conhecido como discriminação. Discriminação é uma ação negativa em relação a um indivíduo como resultado de sua participação em um determinado grupo. Quando conhecemos estranhos, processamos automaticamente três informações sobre eles: raça, sexo e idade. Por que esses aspectos de uma pessoa desconhecida são tão importantes? Por que não notamos se seus olhos são amigáveis, se estão sorrindo, sua altura, o tipo de roupa que usam? Embora essas características secundárias sejam importantes para formar uma primeira impressão de um estranho, as categorias sociais de raça, sexo e idade fornecem uma riqueza de informações sobre um indivíduo. Essas informações, no entanto, geralmente são baseadas em estereótipos. Podemos ter expectativas diferentes em relação a estranhos, dependendo de sua raça, sexo e idade.

O preconceito e a discriminação persistem na sociedade devido à aprendizagem social e à conformidade com as normas sociais. As crianças aprendem atitudes e crenças preconceituosas da sociedade com seus pais, professores, amigos, na mídia e em outras fontes de socialização, como o Facebook ou o Instagram. Se certos tipos de preconceito e discriminação são aceitáveis ​​em uma sociedade, pode haver pressões normativas para conformar e compartilhar essas crenças, atitudes e comportamentos preconceituosos.

Não podemos negar que existem pessoas preconceituosas e nossa sociedade tende a ter uma série de razões prontas para justificar nossos preconceitos (“os imigrantes roubam empregos”, “a comunidade LGBT corrompe os valores da família”, “nordestinos são preguiçosos”, etc), mas esses preconceitos são amplamente infundados e as justificativas não retêm a água, então o que os está levando a nos julgar?  

Minha proposta inicial é que a sociedade sente preconceito em relação às pessoas que se desviam da norma, àquelas que quebram padrões físicos ou sociais na cor da pele ou no que é vestido (quebram o padrão do que parece "normal"), em suas práticas religiosas ou culturais (eles se desviam das normas sociais estabelecidas há muito tempo, que são padrões de comportamento social). Sendo assim, o preconceito social pode se originar de nossa aversão geral aos desvios/quebras de regularidades e com o que estamos acostumados. Pesquisas mostram que quanto maior o desconforto de uma pessoa em relação a padrões quebrados nas cenas cotidianas, maior a aversão a “violadores de normas sociais” como, por exemplo, alguém que se veste de maneira cruzada, pessoas com características físicas incomuns (como nanismo) e membros de grupos minoritários raciais (indivíduos negros)... Nós tendemos a supor que os pensamentos e sentimentos que mantemos sobre nossas famílias, amigos, parceiros e estranhos são o produto do raciocínio e da experiência, e muito afastados de como pensamos sobre o mundo físico. No entanto nossas atitudes sociais, nossos gostos e desgostos por vários tipos de pessoas e várias formas de comportamento, estão mais relacionados do que podemos pensar com nossas preferências no mundo físico.

Você sabia que a dor social sofrida pela rejeição por outra pessoa ou grupo ativa a mesma região cerebral subjacente que a experiência da dor física? Infelizmente, ao contrário de como fazemos com a dor física, para reduzir a dor social não há remédio. Não há pílula mágica para reduzir o preconceito social, no entanto, ao ilustrar que os preconceitos sociais das pessoas não são necessariamente racionais, elas criam falsas crenças que adotam para justificar seus preconceitos (por exemplo, “os doentes mentais são perigosos”, “os muçulmanos são terroristas”). Não são necessárias pesquisas para sabermos que uma antipatia por tais “padrões não sociais” é altamente predominante, que emerge cedo na vida e existe em diferentes culturas.

A pior violência é o preconceito e embora abandonar falsas justificativas para o preconceito seja um bom começo, intervenções para reduzir o preconceito são o objetivo final. As pessoas potencialmente podem reduzir seus preconceitos treinando-se para serem mais tolerantes com padrões quebrados no mundo físico. Se tais intervenções forem eficazes em tenra idade, teremos uma chance maior de reduzir preconceitos sociais a longo prazo.


#OQUEOSESTÁLEVANDOANOSAJULGAR?

Emilly Anne Schnoeller

Ana Luiza Cerqueira 

Letícia Quaresma

Heloísa Horikawa

São Paulo, 06 de abril de 2021


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Comentários

  1. Ótimo texto! A sobriedade do tom e a precisão das palavras dignificam a causa. Fiquei matutando os tipos de intervenção que podemos fazer para defendê-la. Certamente esse texto já é uma, e um excelente começo.

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