Resenha crítica - O Diário de Anne Frank em quadrinhos
O Diário de Anne Frank em quadrinhos
Por Ana Luiza Cerqueira
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Fonte: Amazon |
É com este trecho de uma obra,
referente ao propósito e impacto causado pelos registros de períodos repletos
de eventos violentos, que eu decidi iniciar minha resenha do confinamento de
Anne Frank e a relação com o cenário atual de quarentena diante da pandemia da
Covid-19, uma vez que descreve o que eu senti como leitora, principalmente
comparando o diário original, com essa versão ilustrada e com minha própria
experiência em confinamento. Colocar realidades tão distintas na mesma frase é
desconexo para mim, mas, como citado no trecho que eu trouxe, torna “mais real”
e desperta uma consciência que simplesmente seria irresponsável não desenvolver
tendo o acesso privilegiado que eu tenho a esta fonte rica em relatos tão
sinceros e profundos.
Resumidamente, Anne é uma menina judia
nascida em 1929, que quando completa 13 anos, em 1942, é presenteada com o
diário que imediatamente se torna seu melhor amigo, fonte de conforto e ajuda,
o qual nomeou Kitty.
Infelizmente, vemos o pior que um ser
humano poderia descrever como sentimento dentre sua própria espécie e
sociedade, este período do século XX caracterizado pelos regimes totalitaristas
e opressores. Mesmo que a religião não se misturasse a vida da família, o
regime nazista na Alemanha levou Anne, sua mãe, pai e a irmã ao início da vida
de procurados, refugiando-se na Holanda e mais tarde em um anexo secreto com
outras quatro pessoas também refugiadas, agiam assim, muitos outros, caçados
por não atenderem a chamada raça ariana.
Com a leitura vemos dois aspectos
principais. O desenvolvimento de Anne em relação aos pensamentos e sentimentos
pessoais e o cenário dos outros moradores do anexo e pessoas que os ajudaram.
Quanto aos relatos de Anne acerca de
suas experiências e frustrações, destaca-se a maturidade e a admirável capacidade que ela tinha de, ao
mesmo tempo, sentir os impactos da fome, conflitos armados e condições
insalubres e de se posicionar principalmente entre os adultos, mesmo sendo
vista como insolente e ingrata ao questioná-los. Penso que tinha como grande
virtude construir e ser fiel ao seu caráter.
Voltando a nossa realidade atual,
pontuo que o confinamento por guerra e devido à questão de saúde coletiva se
diferem, e muito. Enquanto no primeiro se restringe a esperança de um dia
voltar a ser visto minimamente como ser humano no outro ocorre a intenção de
zelar por tudo que temos, da economia mundial até aqueles que nos cercam e
podem ser contaminados com o vírus. Ressalto que na situação histórica do
livro, o vírus está na mente daqueles que foram exacerbadamente além de
qualquer valor moral ou existencial pela necessidade destrutiva. Como Anne
chega a refletir, independente da situação “cuidadosamente construída,
cultivada, criada” chegando o mais próximo da igualdade, sempre poderá existir
a necessidade de fúria que incompreendida se torna o poder de limitar e
destruir tudo, simplesmente para que retornemos ao início mais uma vez. É aí que
me emociono em ver outra diferença, agora podemos nos responsabilizar por
nossas próprias ações e escolher fazer o bem na medida que conseguimos,
assegurando nossa saúde, e aqueles, que assim como nas primeiras sociedades têm
mais recursos que a maioria, também é podem escolher ajudar o próximo. O vírus
não precisa estar no controle, como ele foi na mentalidade da guerra e sim ser
um obstáculo que é, mesmo que desafiadoramente, superado.
Espero que tenham gostado da resenha e convido todos a se aventurarem na leitura do Diário de Anne Frank! :)
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Já havia lido esse livre e realizado uma peça de teatro. Ótima indicação e essa obra merece mais reconhecimento!!
ResponderExcluirParabéns pela resenha, amei!
Já havia lido esse livre e realizado uma peça de teatro. Ótima indicação e essa obra merece mais reconhecimento!!
ResponderExcluirParabéns pela resenha, amei!
Ana, que belo texto! Já fiz a leitura do livro (2 vezes inclusive) e me apaixonei de primeira. Texto super emocionante e quem fará a leitura tenho certeza que vai gostar também. Parabéns pela resenha, adorei!! :)
ResponderExcluirO livro é muito bom e sua resenha ficou incrível. Achei muito interessante a relação que você montou com a nossa situação pandêmica, parabéns!
ResponderExcluirA comparação feita é muito boa, pondera pelo critério do bem coletivo, ou seja, pela justiça. Seu texto revela grandeza, Ana.
ResponderExcluirÓtimo texto, Ana! O livro merece destaque e o texto que produziu apresentou ótima comparação e reflexão crítica sobre os dias atuais.
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