O culto ao eu

Por que é um erro se amar

Por João Arrais

Para uma versão mais detalhada deste ensaio, acesse este link.

Todos criticam o individualismo, mas ninguém quer se livrar dele. Não faltam profetas para denunciar o egocentrismo, mas ninguém quer abortá-lo — nem eu, nem você, nem ele, nem ela, nem nós, nem ninguém. Mas que é isso que denuncio? Vamos dar nomes aos vilões: o culto ao eu, ou ainda egolatria.

Mas que mal é esse? Só por rejeitar que o tem, você já prova que o tem. Mas se eu erigir¹ sua estátua de ouro, talvez você o note: o amor-próprio. Todos o querem e ninguém quer perdê-lo. Qual o resultado dele? Um mundo cada vez mais atomizado, isto é, a unidade é cada vez mais fragmentada ao ponto de restarem apenas indivíduos que só sabem olhar para si. Por isso mesmo, gosto de chamar a egolatria de espiritualidade atômica.

Caso as pessoas queiram um mundo menos apático, mais solidário e mais altruísta, as pessoas devem abandonar o amor-próprio. Mas antes de tudo, o que é o amor?


Amor como existencialidade religiosa

Por muito tempo no Ocidente, a moralidade foi associada com a razão. Se você conhece racionalmente o que é bom, você faz o bem; caso não o faça, não conhece suficientemente a bondade. Sócrates, no diálogo Hípias Menor, diz: “[…] a alma mais sábia será também a mais justa, enquanto a mais ignorante será a mais injusta […]”. O que torna uma pessoa boa e feliz, nessa visão, é conhecer racionalmente o bem.

Mas ocorreu um rompimento com essa tradição intelectual. Certo homem do Antigo Oriente Próximo, especificamente na Judeia, região dominada pelo Império Romano, disse que “todas as coisas más procedem de dentro do coração do homem e o tornam impuro” (Marcos 7:23; AS21) e que “onde estiver o seu tesouro, aí estará também teu coração” (Mateus 6:21; AS21). Jesus Cristo, o homem ao qual me refiro, provocou um rompimento com a filosofia grega ao retomar conceitos hebraicos. Um deles (o qual é o mais importante para este ensaio) é o do coração.

Coração, na mentalidade hebraica antiga, é o centro existencial dinâmico dos humanos. Ele guia os pensamentos, as vontades e as emoções em uma determinada direção, que é o seu deus. Segundo o pensamento veterotestamentário (e, consequentemente, o neotestamentário), há apenas dois Nortes para o coração: o Senhor Deus ou um ídolo. Jesus diz: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e desprezará a outro” (Mateus 6:24; AS21), se referindo a Deus e ao ídolo das riquezas. Moisés concorda ao dizer que: “Amarás o senhor, teu Deus, de todo coração […] [e] não seguirás outros deuses” (Deuteronômio 6:5, 12; AS21). No pensamento hebraico, a adoração a Deus/ídolo se revela na existência: “[…] sereis [Israel] minha [Deus] propriedade exclusiva dentre todos os povos […] e não te inclinarás diante dos seus deuses [ídolos], nem os cultuarás; não imitarás as suas obras” (Êxodo 19:5 e 24:23; AS21).

Mas o que torna o coração judaico-cristão maior que alma moral socrático-platônica? O grande problema da abordagem socrático-platônica de moralidade é que ela ignora a presença dos afetos na natureza humana, reduzindo-a a mera racionalidade. Trata-se das implicações do chamado dualismo forma-matéria, onde há uma realidade superior/transcendente (forma) em oposição a outra realidade inferior/imanente (matéria). Essa moralidade depende da alma humana concebida como a forma racional do qual o corpo depende. Contudo, há um problema inerente a todo dualismo: como as formas, que são totalmente transcendentes, conseguem ter qualquer tipo de relacionamento com a matéria, totalmente imanente? Como o pai da Igreja Irineu de Lyon apontou em sua magnum opus “Contra as Heresias”, dizer que é preciso fazer algo com o corpo (isto é, uma ação ou boa obra) para ser bom é igualar o valor moral da matéria com o valor das formas, o que contradiz totalmente a metafísica socrático-platônica. 

Assim, é necessário que uma moralidade não fragmente a natureza humana, mas a trate como integral —  e esse requisito é plenamente cumprido pelo conceito judaico-cristão de coração. Retomando-o, Aurélio Agostinho de Hipona introduziu na filosofia a associação da moral com a totalidade do homem. No capítulo X do livro VIII de suas “Confissões”, ele diz: que “[…] toda a vontade unida segue em um único caminho. […] Quando a eternidade nos atrai de cima e o prazer dos deleites temporais nos puxam para baixo, a mesma alma não deseja essa ou aquela com vontade plena e, portanto, divide-se em perplexidades dolorosas”. Não se trata, portanto, de conhecer racionalmente o que é certo, mas de amar o que é certo. Assim, Agostinho retrata o amor como existencialidade religiosa, pois é o seu objeto que define o que o homem é: um desesperado na angústia ou um arrependido na verdade. “Eu havia questionado o que era a iniquidade e descobri que […] é a perversão da vontade que se extraviou de ti, ó Deus Supremo [o Criador], em relação às coisas inferiores [isto é, as criaturas]” (capítulo XVI, livro VII). Antes de toda apreensão racional, há um compromisso religioso.

Herman Dooyeweerd, um filósofo do século XX, desenvolveu a filosofia agostiniana por meio do calvinismo, formando a filosofia reformacional ou da ideia cosmonômica. Na proposição IV de seu excelente ensaio “A Teoria do Homem: Trinta e Duas Proposições sobre Antropologia”, ele define o coração (ou alma/espírito/interioridade) como a “raiz religiosa supratemporal, [isto é] o centro integral da existência temporal humana de onde pensamentos e volições são apenas expressões temporais”. O coração une a totalidade do corpo e o compromete em relação à origem do cosmo, isto é, Deus: submissão ou rebelião. Por essa razão, o amor-próprio é altamente destrutivo.


As funções do amor

Como anteriormente demonstrado, o amor é um ato religioso que surge do coração humano, que abrange a totalidade do corpo. Isso significa que toda ação humana é motivada por uma espécie de deus. Mas o que isso quer dizer?

Em primeiro lugar, que há uma ordem de prioridade inerente às motivações humanas (esse é o ponto mais importante o mais decisivo para todos os demais). No capítulo XX do livro I das Confissões, de Agostinho, sobre a idolatria, confessa que “foi pelo meu pecado que busquei não nele [isto é, em Deus], mas em suas criaturas (em mim mesmo e em outros) prazeres, grandezas e verdades […]”. A vida toda é orientada segundo o que o coração ama — e isso envolve orientar todos os desejos em direção a uma única coisa. Isso é o significado de dizer que o amor pressupõe uma ordem de prioridade, pois todas as vontades seriam supridas em uma coisa só: criatura ou Criador.

Em segundo lugar, que a realidade é interpretada segundo esse deus. Um filósofo agostiniano do período escolástico, Anselmo de Cantuária, no capítulo I de seu livro clássico “Proslogion”, observa que o ser humano não interpreta o mundo de forma imediata, mas segundo mediações religiosas, observando que precisa da iluminação divina para que seu pecado não comprometa sua inteligência. “Não compreendo para crer, mas creio para compreender”. Dooyeweerd, tal como Anselmo, propõe que o pensamento teórico nunca é neutro. Antes, quando separado da Revelação Divina, sempre elege um aspecto da realidade e o torna absoluto sobre outros. Em sua palestra “Introdução a uma crítica transcendental do pensamento filosófico”, ele diz que todo pensamento teórico que não tem seu ponto de partida na Revelação Divina (que transcende o cosmo criado por Deus) necessariamente o achará na realidade criada por Deus, elegendo, assim, um dos aspectos da criação como o aspecto mais importante. Isso se caracteriza como um deus/ídolo teorético. Isso é o que Dooyeweerd chama de reducionismo teórico. Segundo o filósofo, o problema dos reducionismos é que eles tentam aplicar leis de um aspecto da realidade a outros aspectos com normas diferentes. Mais importante que isso, todos os aspectos se unem em torno da lei de Deus. Por isso, o pensamento teórico deve partir do Criador.

Em terceiro lugar, o amor decide a ação moral dos indivíduos. Alasdair McIntyre, em seu livro “Whose Justice? Wich Racionality?”, define que toda teoria moral precisa definir o fim para o qual o ser humano existe. Usando o exemplo de um relógio, só é possível saber se ele é bom ou ruim caso você saiba para o que ele serve (afinal, ninguém usa um relógio para martelar pregos, mas apenas para ver horas) — e assim também ocorre com o ser humano: só podemos saber se o que ele faz é certo ou errado caso saibamos para o que ele foi feito. Como o conceito de coração mostra, o ser humano sempre estará buscando algo acima de tudo, isto é, sempre buscará um propósito para a própria existência. E isso define a sua moralidade. 

Por fim, o amor define a compreensão de si. Na mesma palestra já aqui citada, Herman Dooyeweerd diz que:

De fato, o autoconhecimento é religioso por natureza. O “Self” [isto é, o “eu” ou ego] do homem é o ponto de concentração de toda a sua existência, de todas as suas funções dentro dos diferentes aspectos de sua realidade temporal. O Self é o centro religioso, o coração, como dizem as Escrituras Sagradas, de toda a existência. O Self procura, por uma tendência original inata, sua origem divina, e não pode se conhecer fora dessa relação original.


A análise do amor-próprio

Definido o que é o amor e quais são suas funções, podemos retornar à problemática principal deste ensaio: por que o amor-próprio é destrutivo? Antes de tudo, é preciso fazer uma análise do amor-próprio segundo as funções do amor já apresentadas. E isso parte da afirmação de que, para o amor-próprio, o Self é o deus.

Em primeiro lugar, ele põe como prioridade o Self. Isso significa que toda a vida é orientada por amor a si, no sentido de que todos os desejos seriam supridos no ego. Em outras palavras, todas as coisas são orientadas em torno de si e de mais nada. O Self é o que há de mais importante.

Em segundo lugar, o amor-próprio interpreta a realidade segundo o ego. Contudo, conforme a antropologia reformacional mostra, o Self, ou coração, é supratemporal e expressado de forma multifacetada na temporalidade, ou seja, na integralidade do corpo humano. A dificuldade que isso impõe é que o amor-próprio, por não se orientar segundo a Revelação Divina, põe seu ponto de referência teórico na realidade criada. Assim, é impossível que o Self se ame enquanto supratemporal (porque, como Dooyeweerd demonstrou, o coração é inacessível fora da relação com sua origem divina), mas apenas enquanto temporal. Logo, como o humano é o ser criado mais completo, o amor-próprio amará alguma coisa do humano, mas nunca o amará em sua integralidade por sua incapacidade de acessar o Self.

Em terceiro lugar, o amor-próprio define a moralidade ao usar o Self como telos humano. O ser humano seria movido para si. Isso significa que as ações morais são boas enquanto motivadas para si e más enquanto motivadas para outro. Contudo, isso não significa necessariamente autenticidade, como mostrarei adiante.

Em quarto e último lugar, ele impede o autoconhecimento por estar separado da origem divina. Por ser necessariamente autônomo, o amor-próprio não tem uma lei heterônoma pela qual possa julgar seus vícios, virtudes e motivações. Sua lei é autônoma, de tal forma que ele não pode emitir juízos sobre si, mas apenas, digamos, duplicar-se na busca do autoconhecimento.


A destrutividade do amor-próprio

Feita a análise, as implicações do amor-próprio consistem em: egoísmo, reducionismo, arbitrariedade e angústia.

Se, no amor-próprio, a prioridade é o ego, isso necessariamente implica em egoísmo, que implica por a si sobre o outro e sobre o mundo, tratando-se como um deus. Todos os bens são considerados bens na medida em que satisfazem o ego. Trata-se de um sentimento totalitário, uma imitação do culto romano ao imperador. É exigido o reconhecimento de si pelo outro. Assim, o amor-próprio, por tratar o Self como prioridade, impede a virtude da humildade e faz nascer o vício da soberba.

Enquanto compreensão da realidade, já foi mostrado que o amor-próprio necessariamente fará um aspecto da criação ser supervalorizado sobre outros. Isso é reducionismo teórico, como chama Herman Dooyeweerd. O problema dele é aplicar leis de um aspecto da realidade em outros aspectos de leis diferentes, ocasionando transgressões da ordem natural e, consequentemente, incompreensão de mundo. 

Em uma de suas faces mais sombrias e destrutivas, o amor-próprio ocasiona arbitrariedade no campo da ética. Se o certo e errado, nesse ídolo do coração, é definido pelo Self egoísta, então não existem, de fato, absolutos morais. Toda a ética seria relativa ao que é bom para si e nunca para o outro — e qualquer coisa pode ser bom para o ego desde que este o queira. Absolutos morais que mudam são arbitrariedade e a ausência de uma moralidade fixa. Esse é o aval “moral” para qualquer tipo de atrocidade desde que o Self o queira.

Por fim, por impedir o autoconhecimento, o amor-próprio gera angústia. Uma das questões existenciais mais perturbadoras é “quem sou eu?”. De fato, a questão da identidade é a mais refletida atualmente. Sem o conhecimento de si, é impossível agir, alcançar a felicidade, pensar, querer e viver. Sua ausência, portanto, necessariamente gera angústia, de tal forma que o endeusamento do Self é necessariamente a porta de entrada da angústia.

 

As faces do amor-próprio e sua solução

Existem duas formas pelas quais o amor-próprio se evidencia: pela via da autenticidade e pela via do legalismo. Na primeira maneira, busca-se viver para si e por si, isto é, fazendo o que bem entende e o que bem lhe agrada para ter o reconhecimento da própria originalidade e liberdade pelo outro; é o fenômeno de todas as juventudes que buscam desconstruir padrões. Na segunda maneira, procura-se viver para si e pela legalidade, isto é, cumprindo normas externas a si para ter o reconhecimento da própria retidão pelo outro; é o que ocorre com o religioso rígido que ama praticar a piedade em público.

Nenhuma dessas vias é melhor que a outra. Ambas são faces do amor-próprio. Ambas são igualmente destrutivas. Ambas são, infelizmente, as mais populares. Busquei mostrar a desgraça do amor-próprio inerente a essas vias — e como seria destrutivo se todos decidissem segui-lo irrestritamente! A única forma de valorizar a si mesmo e agir sempre em benefício do próximo é seguindo a via que todos os filósofos citados sugerem, que, por sua vez, é a proposta de Jesus Cristo: amar a Deus sobre todas as coisas. Termino este ensaio com as palavras do Filho de Deus.


Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas a vocês. (Mateus 6:33; NVI)


Então Jesus disse aos seus discípulos: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. (Mateus 16:24; NVI)


Jesus disse: “Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao seu pai: ‘Pai, quero a minha parte da herança’. Assim, ele repartiu sua propriedade entre eles.

“Não muito tempo depois, o filho mais novo reuniu tudo o que tinha e foi para uma região distante; e lá desperdiçou os seus bens vivendo irresponsavelmente. Depois de ter gasto tudo, houve uma grande fome em toda aquela região, e ele começou a passar necessidade. Por isso foi empregar-se com um dos cidadãos daquela região, que o mandou para o seu campo a fim de cuidar de porcos. Ele desejava encher o estômago com as vagens de alfarrobeira que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada.

“Caindo em si, ele disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm comida de sobra, e eu aqui, morrendo de fome! Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados’. A seguir, levantou-se e foi para seu pai.

“Estando ainda longe, seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para seu filho, e o abraçou e beijou.

“O filho lhe disse: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho’.

“Mas o pai disse aos seus servos: ‘Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés. Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e alegrar-nos. Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado’. E começaram a festejar o seu regresso.

“Enquanto isso, o filho mais velho estava no campo. Quando se aproximou da casa, ouviu a música e a dança. Então chamou um dos servos e perguntou-lhe o que estava acontecendo. Este lhe respondeu: ‘Seu irmão voltou, e seu pai matou o novilho gordo, porque o recebeu de volta são e salvo’.

“O filho mais velho encheu-se de ira e não quis entrar. Então seu pai saiu e insistiu com ele. Mas ele respondeu ao seu pai: ‘Olha! todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens. Mas tu nunca me deste nem um cabrito para eu festejar com os meus amigos. Mas quando volta para casa esse teu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele!’

“Disse o pai: ‘Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que tenho é seu. Mas nós tínhamos que celebrar a volta deste seu irmão e alegrar-nos, porque ele estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado’ ” (Lucas 5:11–32; NVI)

 


Bibliografia

“Confissões”, Agostinho de Hipona (Editora Principis)

“Hípias Menor”, Platão (disponível em: http://www2.ucp.pt/resources/Documentos/SCUCP/GaudiumSciendi/Revista%20Gaudium%20Sciendi_N4/12.%20Colen%20Tradu%C3%A7%C3%A3o%20do%20texto%20Hipias%20Menor.rtf.pdf)

“Monológio/Proslógio/O Gramático/A Verdade/Lógica para principiantes/História das minhas calamidades”, Anselmo de Cantuária e Pedro Abelardo (Nova Cultural)

“De Tales a Dewey”, Gordon Haddon Clark (Editora Cultura Cristã)

“The Theory of Man: Thirty two propositions on anthropology”, Herman Dooyeweerd (disponível em: http://www.reformationalpublishingproject.com/pdf_books/Scanned_Books_PDF/TheTheoryofMan.pdf)

“Introduction to a transcendental criticism of philosophical thought”, Herman Dooyeweerd (disponível em: http://www.reformationalpublishingproject.com/pdf_books/Scanned_Books_PDF/IntroductiontoaTranscendentalCriticismofPhilosophicThought.pdf)

 


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