O porquê você deve conhecer o dia 12 de maio

Afinal, o que é que tem?

Por Isabele Uratsuka

Arte de Isabele Uratsuka

         Você sabia que o dia 12 de maio é o Dia da Enfermagem e do Enfermeiro? Ou então que essa data foi escolhida para celebrar esse dia porque é o mesmo dia em que nasceu Florence Nightingale, mulher que fundou a primeira Escola de Enfermagem da Inglaterra e que hoje é considerada a mãe da enfermagem moderna?

         A enfermagem, enquanto profissão reconhecida, é mais recente do que a medicina, porém a prática é muito mais antiga. Todas as instituições de cura, desde as linhagens “mágicas” até as linhagens tradicionais ou “científicas” possuíram assistentes em sua estrutura, responsáveis pelo bom funcionamento no atendimento aos pacientes.

         Se o médico ou enviado de Apolo dizia ser necessário a limpeza, o repouso, ou qualquer procedimento, eram os assistentes os responsáveis por aplicar o procedimento e repassar quaisquer situações ocorridas.

         Se a primeira escola “moderna” de medicina é citada no século IX, a primeira escola de enfermagem é datada em 1860, Com Florence Nightingale. Mas historicamente temos registro de práticas médicas em muitas civilizações antes disso, como China, Índia, Egito, Grécia, Pérsia e muitas outras.

         Se a medicina é reconhecida como a protagonista no diagnóstico e tratamento, a enfermagem é a protagonista no cuidado com a saúde como um todo, de uma forma muito mais pungente, todavia não recebe o reconhecimento popular sobre isso.


Atualmente as funções da enfermagem, em diversos países, incluem:

- o acompanhamento observador de saúde

Exemplo:, gestação, doenças crônicas, puericultura coleta de exames, etc;

- o acompanhamento intervencionista

Exemplo: curativos, prescrição ou aplicação de remédios, hospitais, clínicas, acompanhamento em cirurgias, partos, etc;

- o atendimento especializado

Exemplo:  tratamento em doenças crônicas, transplantes, pacientes terminais, UTI.


         Cada país possui legislações diferentes sobre a atuação da enfermagem. No Brasil, como a profissão possui níveis, como o assistente de enfermagem, o técnico e o enfermeiro propriamente dito, muitas vezes a população fica confusa sobre qual a competência de cada um. Um enfermeiro formado realiza diversos procedimentos, alguns invasivos, dosa medicações, pode pedir exames e prescrever ou encaminhar pacientes. Um técnico em enfermagem já não tem tantas competências ou permissões e o auxiliar em geral atende as situações mais simples.

         Durante a pandemia do coronavírus o mundo descobriu que não adianta ter um respirador sem possuir uma equipe de enfermagem qualificada para acompanhar a infusão de medicações, verificar a pressão e volume de oxigênio, identificar sinais de falência ou realizar uma ressuscitação de emergência. Colocar esse tipo de peso sobre um auxiliar de enfermagem, por exemplo, é surreal, pois o mesmo não possui o treinamento e competência para tal. E mesmo a grande maioria dos enfermeiros, não treinados para o atendimento em UTI, têm dificuldades com esse atendimento.

O atendimento geral, de suporte e conforto, pode ficar a cargo de auxiliares.

O atendimento a pacientes com oxigênio e medicações simples pode ficar a cargo de técnicos.

O atendimento nas internações, com intervenções frequentes, fica a cargo dos enfermeiros formados.

         Porém, o atendimento de UTI, que apresenta situações de atendimento muito especializado e com intervenções delicadas, fica a cargo de enfermeiros com especialização ou treinamento específico, e o número de profissionais com essa capacitação no Brasil é bastante reduzido.

         Outro fator complicante e grave quanto a isso é que, até o momento nesta pandemia, profissionais de enfermagem apresentam a maior taxa de mortalidade dentre os profissionais de saúde do mundo. Cerca de 1/3 de todas as mortes de profissionais da enfermagem no mundo são de profissionais que atuavam no Brasil.

         Muitos dos profissionais remanescentes, após um ano e meio de trabalho exaustivo e muitas mortes, sofrem de estresse e abandonam a profissão ou ao menos o atendimento direto a pacientes de COVID. Isso significa uma perda significativa no número de pessoas capacitadas que, com sua experiência e conhecimento, conseguiriam minimizar a mortalidade, além de uma demanda cada vez maior de profissionais na linha de frente, sendo que a reposição acontece com profissionais com menos capacitação, recém-formados ou simplesmente sem experiência, tanto nos cuidados aos pacientes, quando com o autocuidado para reduzir possibilidade de contaminação.

         Há muito tempo que os profissionais de enfermagem se tornaram indispensáveis no cuidado com a saúde, ainda mais durante a pandemia, mas continuam sem seu devido reconhecimento, muitas vezes sendo desvalorizados não só por pacientes, mas também por médicos, e isso não pode continuar.

         Então, no dia 12 de maio, diga para os amigos que é o Dia da Enfermagem e do Enfermeiro, conte para a família, agradeça os profissionais de enfermagem. São pequenas ações de várias pessoas que mudam as coisas.

Reconheça o trabalho árduo dos profissionais da saúde.

Se cuide.

Fique em casa.

Imagem de Carol Silveira



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Comentários

  1. Lembrete necessário, homenagem mais do que merecida. Parabéns pelo gesto e pelo texto!

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