Resenha crítica do livro "O Fantasma da Ópera"
"O Fantasma da Ópera"
O Fantasma da Ópera é
um livro francês de ficção gótica, produzido por Gaston Leroux e publicado
inicialmente em capítulos entre setembro de 1909 e janeiro de 1910.
Antes mesmo de ler as
primeiras páginas do livro as expectativas são altas, isso porque as informações
da sinopse despertam no leitor interesse para compreender o desenrolar da história,
e surpreendentemente todas as perspectivas são alcançadas.
A própria carreira do
autor é instigante, entre suas especialidades que variam de advogado e jornalista
francês, foi capaz de escrever 30 romances, além de meia dúzia de peças teatrais.
O potencial de sua obra foi tão grande que, mesmo anos depois de sua publicação
original, a Universal Pictures em 1925, transformou o livro O Fantasma da Ópera
em um filme, garantindo o triunfo de Leroux.
Por se tratar de um clássico
de ampla fama e contar com críticas renomadas sobre a obra é comum que o leitor
explore a opinião de diversos públicos sobre a linguagem, prevendo um vocabulário
complexo que segue rigorosamente a norma-padrão, porém a realidade é outra uma vez
que os termos são de fácil compreensão.
O contexto histórico da produção da narrativa é muito rico, posto que Paris se encontrava em um processo de mudanças e revoluções. A reforma de Haussmann foi capaz de renovar a cidade, destruindo o aspecto medieval com casas de madeira à beira do Rio Sena e estreitas vielas (referências presentes na obra literária e cinematográfica Corcunda de Notre Dame).
A Modernização do espaço
no século XIX deu origem ao aspecto atual da metrópole, com um design contemporâneo
de prédios e casas, além de extensos Boulevard que proporcionam um aspecto
amplo para o espaço urbano. O início desta transição ocorreu durante o império
de Napoleão III (período referente ao Segundo Reinado), o traço desta administração
revela a ostentação do imperador, que influenciou na construção da décima
terceira ópera de Paris, conhecida atualmente como Ópera Garnier, local onde se
passa a narrativa de O Fantasma da Ópera.
As motivações eram diversas para a escrita de
uma obra que sucede em um espaço recém construído, o depoimento de uma cantora
e a afirmativa de estar recebendo aulas de canto de uma voz e a alegação de
diversas pessoas de acontecimentos atípicos motivaram Gaston Leroux a escrever
uma narrativa curiosa. Além do fato de a ópera de Le Peletier (antecessora a Garnier)
ter pego fogo durante a apresentação de um espetáculo. Este acontecimento deu
origem a uma história, onde um músico teve o rosto queimado e sua namorada que
ocupava o cargo de bailarina da Ópera ter morrido durante o incidente, o homem
completamente atordoado vai em direção ao canteiro de obra da Ópera Garnier e
se esconde nos subsolos. Tais mistérios estão presentes de alguma forma no
livro, mostrando a relação entre o escritor e os acontecimentos que o rodeava.
O Fantasma da Ópera narra um triângulo amoroso nos bastidores dos espetáculos de Paris. O protagonista, uma criatura mascarada que assombra o local durante longos anos, desenvolve um amor obsessivo por Christine, uma jovem integrante do corpo de baile. Lidando com a morte do pai, Christine nunca esqueceria de uma promessa, o Anjo da Música a visitaria, o velho Daaé já havia anunciado “mas você, filha, o ouvirá um dia! Quando eu estiver no céu, vou pedir para ele, prometo”. As crianças desejavam explicações sobre o indivíduo, e era dito que: “todo grande músico, todo grande artista pelo menos uma vez na vida recebe sua visita”. Durante a noite a jovem recebia aulas de canto de uma voz que alegava ser o Anjo da Música.
Raoul de Chagny, o novo patrono do teatro após assistir um espetáculo marcado pelo triunfo de Christine foi movido pelo desejo de se reencontrar com a dona daquela voz mágica que lhe roubara o coração. Havia entregue seu amor para a cantora, que havia conhecido em criança (“O peito doía como se tivesse sido aberto para que o coração fosse arrancado. Ele ali sentia um vazio tremendo, uma ausência sensível que nunca mais se preencheria, não fosse com o coração de outrem! São realidades vividas por certas psicologias que, ao que dizem, só podem entender aqueles a quem o amor estranhamente fulmina”).
Ao descobrir a relação
de Raoul e a Christine, o Fantasma fica enraivecido de ciúmes sequestrando-a e
mantendo ela em cativeiro nos subsolos da ópera.
O Fantasma, posteriormente
conhecido com Érik, é uma figura controversa, em grande parte da história é
ameaçador, porém nos últimos capítulos revela-se um lado sensível. A descrição
deste personagem aflora no leitor fúria e tranquilidade, suas atitudes são
repugnantes, mas ao final da narrativa devemos ter pena ou raiva? Nas últimas
páginas do livro o dilema é esclarecido, dizendo: “Era dono de um coração capaz
de conter o mundo inteiro, e teve, afinal, que se contentar com um subterrâneo.
Realmente, não podemos ter raiva do Fantasma da Ópera! Apesar dos crimes
perpetrados, rezei por ele e esperei que Deus o tivesse perdoado”.
A obra de Gaston
Leroux é um exemplo de atemporalidade, os temas abordados nesta obra são
primordiais e transitam desde exclusão, abandono, relacionamentos abusivos, marginalização
e a relação entre arte e profissão.
Com olhar contemporâneo
a narrativa descreve um relacionamento abusivo, onde Christine deve escolher
permanecer com o O Fantasma da Ópera que a sequestrou, ou optar por uma relação
com Visconde de Chagny, abandonando sua carreira e fugindo.
Percebe-se uma metáfora
artística quando interpretamos Raoul como um símbolo familiar e amoroso,
enquanto O Fantasma seria a própria arte. Para garantir excelência o Fantasma
assume o papel de um mestre rígido e meticuloso ao ponto de dominar a existência
de sua aluna.
Durante a leitura é
possível desenvolver empatia pelos personagens, se relacionando com o enredo de
tal maneira que mesmo após o término da leitura é plausível pensar na obra durante
dias, sempre suprimindo um novo significado para a narrativa e se fascinando.
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