Resenha Crítica do filme “Besouro”
Resenha Crítica do filme “Besouro”
Por Gaya
O filme brasileiro feito
pelo diretor João Daniel Tikhomiroff, “Besouro”, foi lançado no ano de 2009. A
obra cinematográfica possui 1h e 20min e se passa na região do Recôncavo
Baiano, relatando a história real do personagem Manoel Henrique Pereira, mais
conhecido como Besouro Mangangá. Ele foi um capoeirista baiano, que apesar da
aprovação da Lei Áurea anos atrás, sancionada pela princesa Isabel no dia 13 de
maio de 1888, ainda sofreu no decorrer de sua vida, forte repressão e
preconceito.
A
história tem como ponto ilustrar que os negros eram subjugados, humilhados e
condenados a trabalhos compulsórios no Brasil, tendo suas manifestações
religiosas e culturais reprimidas totalmente. Manoel, mais conhecido pelo seu
apelido Besouro, nasceu dez anos após a abolição da escravidão. Foi criado nas
matas, onde aprendeu a capoeira com o Mestre Alípo, adorado pelos negros tanto
pela sua humildade, quanto por batalhar contra os coronéis que os oprimiam e
causavam conflitos, principalmente com o Mestre, que é pego pelos capangas do
coronel.
Seu
apelido se deu por conta do animal besouro que o acompanhava nas lutas de
capoeira nas matas, e por ser um menino esforçado que conseguiu aprender um
golpe voador, que seria de imensa ajuda nas lutas contra os coronéis. E então,
foi visto como uma nova imagem de proteção para seu mestre e para os outros
também.
A
narrativa do filme é extremamente intrigante e importante, traz consigo
ingredientes de pura riqueza, que engrandecem a obra cinematográfica. Como a
luta dos negros, mesmo depois de terem sua liberdade conquistada, vemos como a
ignorância dos outros puniu esses povos. Eram tratados como farrapos, sem cultura,
nojentos, simplesmente por sua cor, pelo seu passado, por uma imagem errônea
que construíram em cima deles, negando seus belos e respeitáveis valores
culturais.
Com
toda certeza esse filme tem um contexto corajoso que mostra ao telespectador o
quanto foi importante a luta dos negros, é cativante o modo que Manoel, o
Besouro, move a história, desenvolve todo sofrimento, culpa e angústia sofridos
por eles, para quem assiste. É um filme que honra seus valores culturais e
sociais, sendo um deles a prática da capoeira, apresentada no filme, que o
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional designou como Patrimônio
Cultural Imaterial do Brasil.
Acredito
que é um filme que merece mais reconhecimento, tanto pelos seus valores, mas
também por demonstrar diferentes elementos da cultura negra, como as músicas,
objetos, vestimentas, que não temos muito contato no dia a dia, mas podemos ter
a oportunidade através do filme de conhecer mais de uma cultura que está tão
presente em nossa sociedade, porém pouco falada, discutida.
O
filme se inspirou no livro “Feijoada no Paraíso”, tem um nome diferente mas é a
mesma história, então se você se interessou pelo filme, pode se interessar pelo
livro também! Até porque em um livro, pelo menos para mim, é bem mais detalhado
e bacana.
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Besouro é já uma referência mítica a Bahia. Celebrado e cantado em peças como a canção Lapinha (Paulo César Pinheiro e Baden Powell) e o romance Mar morto (Jorge Amado), figura como uma referência de coragem e expressão cultural dos marginalizados. Parabéns pela resenha!
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