Música em meio à ditadura
Por: Giulia Alves
Após a Segunda Guerra Mundial, a América Latina passou por grandes transformações sociais, com retração econômica e um novo processo de aculturação por meio da indústria cultural estadunidense. Com sucessivos golpes de Estado, a América Latina viveu, entre as décadas de 1960 e 1970, a ascensão de inúmeras ditaduras militares, que conduziram torturas, assassinatos e exílios dos que eram contra elas. Nesse contexto, grupos populares em alguns países latino-americanos organizaram manifestações questionando o modelo político vigente.
Então, foi criado o movimento do tropicalismo, caracterizado por ser um movimento cultural que atingiu, sobretudo, a música brasileira a partir da década de 60. Os artistas tropicalistas articularam uma nova maneira de pensar o Brasil, suas tradições e influências estrangeiras. Eles propunham um tipo de arte que incorporasse radicalmente os elementos culturais mais diferentes, fossem eles nacionais, estrangeiros, antigos, ou modernos.
Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No Sol de quase dezembro
Eu vou
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot
Nessas novas estrofes são apresentadas as figuras de duas atrizes, uma italiana e outra francesa, respectivamente. Além disso, é notório que ele percebe que só trocam as “caras” dos presidentes, mas nada muda e o regime continua e ele não se identifica com eles.
A repetição do “eu vou” torna evidente a persistência em resistir aos obstáculos da ditadura.
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia?
Eu vou
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não? Por que não?
Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento
Eu vou
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou
Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil
Ela nem sabe, até pensei
Em cantar na televisão
O Sol é tão bonito
Eu vou
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou
Prossegue lutando contra o regime de forma desgastante, querendo e indo em busca da vivência em liberdade, dando assim, seu jeito de sobreviver e se posicionar.
Por que não? Por que não?
Por que não? Por que não?
Por que não? Por que não?
A canção termina dessa maneira. Questionando o motivo de não seguir caminhando e vivendo? É apresentado uma crítica de forma otimista, mostrando que a vida segue apesar dos pesares.
Diante do apresentado, afirmamos que a música pode ser uma ótima forma de pensar sobre a história do Brasil.
Link da musica: https://www.youtube.com/watch?v=WL8l8olaMmI
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Olá, Giulia, belo texto sobre esse importante movimento. Viva a Bossa e Viva a Palhoça, pois o monumento é de papel crepom e lata.
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