O fogo do Borba Gato
Momento história: estátua do Borba Gato
Por Isabella Martins
“Quem controla o passado, controla o futuro.” Esta frase de George Orwell, em sua obra 1984, é uma das lições mais importantes sobre o que é ação política. Toda ação política real conhece a importância de entender o passado como um campo de batalha. Ela entende que o passado é algo que nunca desaparecerá completamente. A definição mais correta é: o passado não é o que passa. O passado se repete, muda de muitas maneiras e retorna continuamente.
No dia 24 de julho de 2021, a estátua do Borba Gato foi queimada por um grupo de manifestantes, causando grandes debates na internet e trazendo à tona a discussão sobre monumentos que homenageiam más pessoas, principalmente aquelas que viveram durante o Brasil Colônia. Porem, se pararmos para analisar quem realmente conhece a história desse bandeirante veremos que quase ninguém sabe quem foi essa figura histórica.
As manifestações são importantes para expressar a opinião da população, porém, quando estas começam a se tornar violentas por parte dos manifestantes (salvo retaliação para a própria segurança) — como foi o caso da vandalização da estátua —, deixam de ser atos de luta por mudanças e se tornam vingança. Mesmo que as pessoas retratadas nessas estátuas tenham sido deploráveis em vida, é necessário conhecer quem foram e porquê tem homenagens por toda a cidade. Sem estes questionamentos isso se torna um ato que ignora o passado e não dissemina a cultura do país.
E afinal, quem foi Borba Gato?
Borba Gato foi um dos bandeirantes paulistas que desbravaram o interior do Brasil no século XV, quando o país ainda era colônia de Portugal. Ele iniciou seu trabalho na vida pública ao lado do sogro, Fernão Dias Paes. Nasceu em 1648 e morreu aos 69 anos, em 1718, quando era juiz ordinário da vila de Sabará, em Minas Gerais.
Um dos momentos mais polêmicos de sua vida foi o assassinato do fidalgo D. Rodrigo de Castelo Branco, ao não respeitar algumas determinações concedidas a ele à época, por volta dos anos 1680. Ele chegou a se refugiar no interior de Minas Gerais, mas logo retornou à ativa, perdoado pelo homicídio.
Tinha destaque entre os bandeirantes de sua época, que desbravaram o interior do Brasil, responsáveis pelo genocídio de dezenas de povos indígenas e pela matança de pessoas escravizadas.
SEM PASSADO, NÃO HÁ FUTURO
O filósofo irlandês Edmund Burke (1729-1797), um dos maiores ídolos conservadores, é famoso por dizer que “Um povo que não conhece a sua História está fadado a repeti-la”.
Não há motivo, razão ou argumento que possa explicar um ataque terrorista — sim, um ataque terrorista! Opor não só obras de arte pública que representam figuras históricas, mas também um dos períodos mais importantes da história brasileira. “Entradas e Bandeiras” que definem o status atual no Brasil.
Para que tais situações não ocorram novamente, não só no Brasil, mas no mundo, devemos ser cidadãos que tenham respeito com o passado e que fazem manifestações com seu juízo de valor, como, por exemplo, os abaixo-assinados, como este:
Devemos sim ser a favor do nosso passado! Mas se por acaso quisermos remover uma estátua que a maioria não sabe quem ela representa nem porque está lá, mas a acham linda e imaginam que aquela seja uma pessoa heroica, devemos tirar de uma forma justa e não repetir o passado.
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Orgulho de você❤
ResponderExcluirParabéns pelo seu texto! Adorei a abordagem e os questionamentos. Acho que cabe mais uma pergunta, ou algumas, a quem interessou a construção da estátua? Pq a homenagem? E tantas outras homenagens e imagens? A quem ainda interessa manter?
ExcluirAdorei!
Na minha opinião, é um absurdo continuar homenageando esse colonizador que assassinou, escravizou e estrupo o próprio povo nativo de nosso país. Porém, não adianta apelar a soluções radicais que não irão solucionar o problema! Poderíamos acrescentar outra estátua em frente ao Borba Gato, um indígena afrontando esse colonizador, para refletirmos sobre tudo o que esse colonizador já fez, mantendo assim a historia do nosso passado e tomando medidas para não continuarmos errando.
ResponderExcluirParabéns pela postagem, sempre é muito bom ler/escutar o que você tem a dizer.