Substância no veneno de serpente brasileira pode inibir a reprodução de coronavírus

Pesquisa brasileira revela substância no veneno de jararacuçu capaz de inibir coronavírus

Por Ana Luiza Cerqueira

Foto de Willianilson

    Apesar dos diversos obstáculos impostos pela pandemia do vírus COVID-19, o campo de pesquisas voltadas à saúde teve um importante desenvolvimento para toda a humanidade. Um exemplo disto é a pesquisa publicada este mês na revista científica Molecules, que, através de testes realizados em laboratório, demonstrou que a molécula extraída do veneno do réptil inibiu em 75% a capacidade do vírus se multiplicar.

    Na medicina, grande parte de tratamentos das doenças utilizam substância da natureza, incluindo extratos de plantas e até mesmo o veneno de cobras e no caso da cobra Jararacuçu, responsável por 90% dos envenenamentos por cobra no Brasil, todo cuidado é necessário e somente a molécula, manipulada em laboratório, é usada nesse estudo.
    A molécula é um peptídeo, ou cadeia de aminoácidos, que consegue bloquear uma enzima do coronavírus chamada PLPro, necessária para processar as enzimas do vírus e montar uma partícula viral madura, que faz parte do processo de replicação. Já conhecido por suas qualidades antibacterianas, o peptídeo consegue agir em uma enzima do vírus que está presente em todas as variantes descobertas até o momento e pode ser sintetizado em laboratório, tornando desnecessária a captura ou criação de serpentes.
    No estudo, os cientistas reproduziram essa partícula em laboratório e fizeram testes com células de macacos infectados com o Sars-Cov-2. Com os resultados promissores, os cientistas agora esperam poder começar os testes em humanos. 
    Participaram da pesquisa, além da USP e da Unesp, a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e a UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). Pesquisas inovadoras como esta são de suma importância para ciência, que por sua vez permite o desenvolvimento e permanência da humanidade.


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